Segredos para se manter em forma durante a gravidez
Cláudio Tomé Rebelo
A frase "sr. Doutor, mas eu tenho muita fome" dita pelas grávidas obriga-me sempre a retorquir "tem apetite, fome têm as crianças em África...".
De facto a nossa espécie evoluiu perante a adversidade da escassez dos alimentos e agora (nos países desenvolvidos) debate-se com o problema da abundância e das doenças por ela causada. E a grávida? Ninguém informa a placenta das nossas grávidas que está em Portugal em 2013.
Ao contrário das avós e bisavós das gravidas de hoje que só tinham acesso à broa de milho ou centeio, à sopa, aos legumes e à fruta da época, nós temos agora a geração do Pão Quente (farinha de trigo refinada, fermentada, congelada) descongelado e cozido a cada hora que passa. Os biscoitos e biscoitinhos e respectivas prateleiras dos hipermercados. Todas as frutas possíveis e imagináveis. Os chocolates "recheados" com caramelo ou com mousse e os pasteis de nata "recheados" com chocolate.
Torna-se assim quase impossível esperar que a placenta perante toda esta felicidade calórica não aumente o apetite das nossas grávidas para assim aumentar a gordura de reserva. Sim, a placenta não pode adivinhar se na próxima semana vem a seca, as chuvas diluvianas ou outra desgraça que faça desaparecer os nutrientes disponíveis ao Bébé.
A placenta já cá andava e ainda não existia "O Açúcar", não existia conservação de alimentos, não existiam refrigerantes ou pastelarias. Como culpar então as grávidas por cada Kilo do aumento de peso, pelas taxas de diabetes gestacional, pelas estrias e aventais abdominais, quando vivemos numa sociedade que criou o termo "desejos" para as desculpar?
Habitualmente aconselho a simples Regra de Seis às grávidas para que tudo decorra pelo melhor.
- 6 refeições - pequeno almoço, meio da manha, almoço, lanche, jantar e ceia.
- 6 proibidos - bolachinhas, doces, arroz e batata no mesmo prato, refrigerantes, molhos, fritos
- 6 "amigos" - legumes e verduras, sopas sem batata nem massa, iogurtes, fruta (maça, pêra, laranja), água, cereais (pão escuro, fibra)
É uma luta diária para que no fim da caminhada elas orgulhosas possam aparecer às amigas "enfiadas" nas calças de ganga justas e as outras exclamem "é impossível que tenhas sido mãe há menos de um mês" - essas invejosas.
A Mãe e MM com 31 semanas de gestação.
[créditos fotográficos: soniabritophotography.com]
* O Dr. Cláudio Tomé Rebelo é ginecologista-obstetra no Hospital Pedro Hispano (Matosinhos). Tem consultório na Medicil Porto e na Clínica Central da Areosa, mas opera no Hospital CUF Porto e na Casa de Saúde da Boavista. Tem-se diferenciado em Endometriose, Oncologia Ginecológica, Obstetricia em mulheres com comorbilidades (hipertensão arterial, doenças autoimunes, trombofilias, maus antecedentes obstétricos, Cirurgia laparoscópica e minimamente invasiva.
Quando finalmente achei que iria engordar uns quilinhos na gravidez (fazia as minhas delicias pois não consigo engordar) fui presenteada com uns belos diabetes gestacionais. Resultado: tive de fazer dieta. Nunca acontece como queremos mas ao fim de pouquissimo tempo já estava tudo no lugar.
ResponderEliminarEngordei 12 quilos e perdi-os facilmente. Agora estou mais magra do que era. Mas nunca fiz dietas e nunca cometi loucuras na altura da gravidez. Sabia bem que era apetite e que não me ia lambuzar como se não houvesse amanhã. Refeições saudáveis, pensadas e cuidadas é o melhor.
ResponderEliminarAdorei este post!
Genial.
ResponderEliminarGanhei um total de 6 kgs durante a minha gravidez, aliando mais ou menos essas regras com natação, 2kms 3x por semana. Trabalhei até à última 6ª feira e o meu filho nasceu na 2ª feira. Devia ser proibido às grávidas saudáveis (i. e. gravidezes sem risco) estarem paradas.
Ainda me lembro do JM vir ter comigo na alcofinha e apontar para a minha barriga a perguntar se eu também tinha um bebé na barriga como a mãe dele. :) (Escusado será mencionar o pânico que me causava, pois ia lá para ir buscar o meu JM na altura com meses)
ResponderEliminarAinda me lembro do JM vir ter comigo na alcofinha e apontar para a minha barriga a perguntar se eu também tinha um bebé na barriga como a mãe dele. :) (Escusado será mencionar o pânico que me causava, pois ia lá para ir buscar o meu JM na altura com meses)
ResponderEliminarGostei muito deste post, principalmente da parte em que refere o dia para as loucuras. ;) Também eu luto para que nesta gravidez não se repitam os números da primeira e até acho que estou no bom caminho. Vou cumprir a regra dos 6, talvez com uma ou outra infracção quanto aos chocolates, porque como sabes, isso em mim, é mesmo patológico.
ResponderEliminarAinda ontem ouvi "...tem apetite, fome têm as crianças em África" da boca do Dr. Cláudio Rebelo que segue a minha primeira gravidez. Seguir estas regras é-me bastante difícil (e o Dr. Cláudio é impecável na sua transmissão) especialmente porque nunca tive apetite na vida e sempre comi por obrigação. Saber do caso da sua esposa alegra-me muito. É sempre bom saber de casos em que o tal sacrifício compensou! Grata pela partilha.
ResponderEliminar