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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Em defesa dos andarilhos (I)

Antes de mais importa esclarecer que sempre fui contra a entrada de um andarilho cá em casa. O JM não teve um e não me pareceu que lhe fizesse falta. Quando, por artes mágicas, vi um andarilho (há quem lhe chame voador) a aterrar cá em casa olhei-o com desconfiança. Mas hoje vejo-o como um brinquedo como os outros e passo a explicar porquê.

Todas as sociedades científicas pediátricas desaconselham o uso de andarilhos e a Sociedade Portuguesa de Pediatria não é diferente. Os andarilhos são causa de muitos acidentes evitáveis (voltarei a este adjectivo, mais tarde).  No Canadá, eles foram mesmo banidos com direito a multa para quem os vende. A campanha foi tão dura que a dada altura se dizia que os andarilhos eram responsáveis por atrasos na marcha, o que entretanto se provou não ser verdade.

Porque é que eu decidi vir em defesa do andarilho? Porque me assustam as brigadas higienistas que, com o argumento de ser perigoso para a nossa saúde (ou, no caso, para a saúde das nossas crianças), vão talhando a nossa liberdade individual. (O exemplo mais recente dessas obsessões sanitárias é a limitação do número de animais domésticos, que alguns entendidos do Ministério da Agricultura queriam impor nos apartamentos dos seus concidadãos.)  Tenho medo que hoje se persigam os andarilhos e amanhã se proíbam as bicicletas, as trotinetes, os carros a pedais. Todos estes brinquedos que envolvem actividade física e aparelhos com rodas envolvem uma boa dose de risco de acidentes, mas se tiramos isto às nossas crianças ficamos com o quê? Queremos as nossas crianças obesas sentadas numa redoma em frente a um televisor a ver programas devidamente higienizados e certificadamente educativos (aposto que haveria comissões técnicas que se ofereceriam para tratar das aprovações)? Não, obrigado.

Voltando aos andarilhos, e pelo que vejo cá em casa, eles são bem mais divertidos do que perigosos. Como com qualquer brinquedo que se dá a uma criança, é preciso estar atento e manter a vigilância sobre o petiz. Aliás, parece-me que o maior defeito dos andarilhos é dar uma falsa sensação aos pais de que se pode deixar a criança entretida e virar costas. Voltando à analogia que referi atrás, um andarilho não é diferente de uma bicicleta, de uma trotinete ou de um carro a pedais. A criança vai-se divertir imenso, mas exige vigilância apertada e alguns cuidados:
  • impedir o acesso a escadas - a criança num andarilho move-se mais rápido do que pensamos e no instante se lança escada a baixo;
  • retirar todos os objectos potencialmente perigosos do alcance da criança (por exemplo, utensílios afiados ou cortantes ou peças pequenas o suficiente que a criança possa engolir) - no andarilho, a criança fica mais alta e conseguirá alcançar tudo o que esteja nos bordos das mesas e aparadores.
  • ter muito cuidado com as toalhas - em cima, costumam estar pratos que partem, chávenas que escaldam, entre outros objectos que estão só à espera de ser puxados pela criança.
  • proteger os cantos das mesas, onde a cabeça do petiz pode razar à passagem do andarilho.
  • proteger as tomadas eléctricas - repito, a criança num andarilho move-se mais rápido do que pensamos 
No fundo, estes cuidados são os mesmo que teremos com a criança que começa a andar com apoio. São regras quase universais, que todos os pais vão conhecendo. Os andarilhos causam acidentes, mas estes são evitáveis. Basta estar atento como temos sempre que estar.

[fonte: wikipedia.org]

10 comentários:

  1. Que bom ler este post..... a nossa pediatra é contra e sempre foi.... mas se na primeira filha eu "obedeci" à indicação dela, mais pelo meu marido que foi completamente intransigente à entrada de um andarilho lá em casa. Neste segundo filho borrifei-me para o que a pediatra disse, contornei a ideia do maridão e lá comprei um andarilho em segunda mão no olx para ele andar em casa dos avós onde passa o dia todo! A casa dos avós não tem escadas o andarilho estava entre o sofá e o móvel da tv, basicamente ele nao conseguia sair dali, andava todo feliz sofá/tv tv/sofá, tal como faz agora que já anda sozinho. O andarilho até se torna menos perigoso em alguns aspetos porque como tem uma base muito larga eles não conseguem chegar a quase nada... o perigo maior era bater com a cabeça numa esquina de uma mesa mas com cadeiras à volta da mesa isso já não acontecia. Eu acho bem mais perigoso a fase em que ele está agora que já anda livremente pela casa toda e mexe em tudo, é um perigo, do que andar num andarilho num sítio fechado com perigos reduzidos e para quem está com um bebé o dia todo em casa, um andarilho é uma grande ajuda, porque os bebés adoram sentir-se independentes e quem está com eles tem uma folguinha de colo... claro que não se pode deixar uma criança sentada num andarilho horas a fio...

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  2. Eu sinceramente continuo a não ver qual é a grande utilidade do andarilho, mas também ainda não tenho pequenitos ;) Ainda assim, hoje em dia, desde a tal "revolução" que levou países como o Canadá a bani-los, a UE criou regras especificas para o fabrico de andarilhos e os antigos foram retirados do mercado. Os andarilhos de hoje em dia são muito diferentes dos do tempo dos nossos pais :)

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  3. Ests sociedade de regras, põe-me completamente doida!!!! Somos todos completamente incompetentes para gerir as nossas vidas! Tudo tem que estar regulamentado!!!! Adorei, qdo da ultima vez estive na Alemanha ver uma criança, devia estar no inicio de começar a caminhar a andar numa bicicleta, destas que estão na moda... só com duas rodas, sem pedais, em que as crianças andam empurrando com os pés... mas artilhada com um capacete do ultimo modelo... daqueles que são "aerodinâmicos" e que vemos nos ciclistas de competição... Era bem giro... Mas isto para dizer que os pais são suficientemente sensatos para saber o que é melhor em cada caso. A palavra "banir" faz-me lembrar tempos que não queria que regressassem... é apenas uma opinião!!!! Mas esta "regulamentice" faz-me lembrar aquela frase dos "supostamente" mais velhos e mais experientes (muitas vezes os nossos pais) qdo dizem, "Nós é que sabemos o que é bom para vocês"..... Muito Big Brother , muito proteccionista....

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  4. Eu não sendo médica nem sequer com conhecimento cientifico mas com prova provadissima da uilidade dos mesmos...Obvio que asegurando todo o cuidado com os possiveis acidentes assim como não damos um boneco pequenino a u bebe nao o vamos colocar num andarilho em sitios com escadas, cozinhas etc resta o bom senso do uso...Mas em defesa do mesmo e das crianças devo dizer que nos meus 10 anos de Ama foi um grande aliado meu e das minhas crianças .Sempre que mostrava sala onde trabalho com crianças la estava ele topo de gama é certo porque algusn sao tao leves que tombam , mas os pais iam trocando olhares ao dito :) Voador..Era o mote para eu iniciar conversa e dizer sim EU uso .Entre ter criança sempre agrrada a uma cadeira ou em cima do voador eu oto pelo voados e todos estimulos curiosidade e interactividade com as outras crianças...Corre , saltar passa ser possivel para os mais pequeninos exercitando-se de algum forma e deixando a monotonia de uma simples cadeira estatica...O que será que pensam os pequeninos que picham de alegria ao ver irmao mais velho correr e não poder usufruir da diverão assim sendo o andarilho da ajuda na minha modesta opinião...Deve referir que por ca é usado num esaço amplo sem qualquer risco para a integridade fisica de cada criança. Deve ser sempre ponderado o local de uso do mesmo obviamente e todos cuidados um adulto por perto.

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  5. Não sei se me conseguiu convencer doutor... :) mas obrigada pelo depoimento em defesa do "brinquedo"

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  6. Concordo plenamente com a parte do dever dos pais em conhecer os riscos/consequências e do direito de escolha.
    Contudo não nos podemos esquecer que ha uns anos atras o uso de capacete na condução de mota ou o uso de cinto de segurança no carro não eram obrigatórios, o que hoje já não faria sentido ser de outra forma...

    Outro cuidado a ter em conta com os andarilhos é o facto de as rodas poderem bloquear com qualquer objecto ou irregularidade no solo, projectando a criança de cabeça ao solo (a sua cabeça ao ter um peso elevado, proporcionalmente ao resto do corpo, eleva o centro de gravidade da criança). E como a criança está "presa" no andarilho não consegue ter reflexos/movimentos de defesa.
    O cárneo/primeiras vértebras frágeis da criança serão então susceptíveis a traumatismos de gravidade considerável (ou a morte
    da criança).
    Isto tem sido um dos principais motivos de proibição do andarilho, visto ser um dos acontecimentos graves mais frequentes.

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  7. Gostei muito do seu post, como gosto de quase todos. Contudo sempre pensei (e li) que o problema do andarilho era impedir que a criança andásse por si mesma. No sentido em que, sendo fácil a mobilidade o bebé deixaria de fazer o esforço para se deslocar sózinho. Gostaria de ter a sua opinião. Muito obrigada :)
    Raquel

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  8. João, nós não comprámos um andarilho pelas razões que indicou! Com temos um rapaz com 8 meses com energia para dar e vender que gatinha a uma velocidade inacreditável! Desde os 5 meses que o jumperoo foi (e ainda é) o brinquedo preferido dele! Não é um andarilho mas sim um género de baloiço que lhes permite saltar, saltar e saltar até ficarem ko!

    Tem imensa cor e brinquedos para desenvolverem todos os sentidos! Foi o único brinquedo que lhe comprámos (na amazon.uk) e aconselho vivamente!

    Aqui deixo o link para ver o DEMO: http://www.fisher-price.com/en_US/brands/babygear/products/Rainforest-Jumperoo

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  9. Li com toda a atenção e respeito o artigo do dr. João, mas a verdade é que não sou apologista pelas razões que outros pediatras já mencionaram e que têm a ver com o andar em bicos de pés que em nada é salutar para a criança, com o facto de a criança se movimentar extremamente rápido e portanto não existe supervisão a 100% por parte do adulto e porque o tempo máximo recomendado diariamente são um máximo de 20 minutos. As estatísticas de acidente em andarilho por traumatismo craneano ainda são bastante altas nos dias de hoje, portanto...prefiro prevenir! Rebolar, gatinhar, treinar com um andador parecem-me ideias mais seguras para os nossos pequenos, isto porque depois do acidente acontecer...não há nada a fazer!!!!

    Cumprimentos.

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  10. Li com toda a atenção e respeito o artigo do dr. João, mas a verdade é que não sou apologista pelas razões que outros pediatras já mencionaram e que têm a ver com o andar em bicos de pés que em nada é salutar para a criança, com o facto de a criança se movimentar extremamente rápido e portanto não existe supervisão a 100% por parte do adulto e porque o tempo máximo recomendado diariamente são um máximo de 20 minutos. As estatísticas de acidente em andarilho por traumatismo craneano ainda são bastante altas nos dias de hoje, portanto...prefiro prevenir! Rebolar, gatinhar, treinar com um andador parecem-me ideias mais seguras para os nossos pequenos, isto porque depois do acidente acontecer...não há nada a fazer!!!!

    Cumprimentos.

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