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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Traumatismo dento-alveolar (I)

O convidado especialista desta semana é o Dr. André Santos Luís. O André é meu amigo desde os seus 10 anos (que, por coincidência eram os meus 10 anos também). Fizemos o ensino secundário juntos. Quando ingressámos em Medicina, ele seguiu para o Hospital de São João e eu para o Hospital de Santo António. Mantivemos o contacto e a amizade, porque ambos fazíamos parte das respectivas associações de estudantes. O André fez-se estomatologista. Trabalha na unidade de Cirurgia Maxilo-Facial do Serviço de Cirurgia Maxilo-Facial e Estomatologia do Centro Hospitalar do Porto. Exerce actividade privada no Hospital Privado de Braga. É pai do M., 6 meses.

Traumatismo dento-alveolar
André Santos Luís

Os traumatismos dento-alveolares (ou seja dos dentes e da sua estrutura de suporte, os alveolos dentários) são bastante comuns nas idades pediátricas. A sua etiologia é variada, sendo a mais comum, nas idades mais jovens, a queda, seguida pelos acidentes desportivos na adolescência, passando mais tarde pelas agressões e acidentes de viação.

Estes traumatismos assumem graus de gravidade diferentes consoante se limitem a pequenos impactos nos dentes dos quais resulta apenas dor (embora possam ter outras complicações no futuro,  às quais me referirei mais adiante) ou estarem integrados em traumatismos faciais complexos que inspiram outro tipo de cuidados e abordagens diferentes.

O propósito deste artigo prende-se com a abordagem a ter nos casos de traumatismos dentários ou alveolo-dentários isolados. Pretende-se aqui explicar um conjunto de atitudes que quem está a acompanhar a criança pode ter e que podem marcar efectivamente a diferença no prognóstico, bem como algumas das atitudes que vão ver no profissional de saúde e que muitas vezes intrigam os pais.

[fonte: carinhoacadapasso.com.br]

O cenário mais frequente: houve uma queda com um impacto na face, normalmente os incisivos superiores são as vítimas (são os que estão mais à frente…). A criança chora, os pais às vezes também, há sangue envolvido…e agora?
  1. Antes de mais (e tendo a noção como pai que às vezes não é fácil) tentar manter a calma e perceber se a criança respira bem, se o sangue e a saliva a atrapalham.
  2. Tentar ajudar a criança traquilizando-a e limpando o sangue. A maior parte das hemorragias são auto-limitadas ao fim de algum tempo, se necessário (e possível)  aplicar alguma compressão. Vamos assumir que o traumatismo foi só nos dentes/alveolos, sem feridas nos lábios ou face, sem impacto no mento (que nos chama a atenção para possíveis traumatismos dos côndilos das articulações temporo-mandibulares) ou outras regiões da face. 
  3. Ver se falta algum dente. Se faltar algum dente há que o procurar. Caso não o encontre não se preocupe em demasia com isso. O clínico deverá apenas excluir intrusão dentária (ver à frente) ou que a criança o tenha aspirado (com Rx torax) . 
  4. Se encontrar o dente (ou parte dele)  leve-o consigo dentro de leite frio, a menos que tenha um meio de transporte de dentes (leite frio é uma solução de compromisso aceitável), mas tenha presente que só uma parte significativamente pequena tem indicação para poder ser usada.
Põe-se agora a questão: onde recorrer? A minha opinião é que nos casos de trauma dentário exclusivo, sem feridas complexas, poderá dirigir-se ao Médico Dentista. Nos casos de traumatismos mais complexos, com envolvimento de vários dentes e feridas mais complexas, avulsões dentárias com dentes que não foram encontrados, deverá dirigir-se directamente ao Serviço de Urgência de um hospital. Se necessário será encaminhado para um com apoio de Estomatologia e /ou Cirurgia Maxilo-Facial.

1 comentário:

  1. Este tema lembra-me o episódio mais traumático até hoje com a minha filha. Ela tinha dois anos e meio e caiu no chã de tijoleira, uma queda tão rápida que não teve tempo para se amparar comas mãos. Com a chupeta na boca, um dos dentes foi empurrado para cima mas não de forma vertical.... ele ficou debaixo do nariz quase na horizontal.... Rompeu a gengiva... sangue muito sangue, e muito choro!! Eu, no momento nem vi o dente e pensei, " deve ter engolido!", limpei-a, dei-lhe ben-u-ron numa tentativa de aliviar as dores (nestas situações vem-me tudo à cabeça para tentar alivar o sofrimento deles...). Estavamos na aldeia em Cinfães, fomo a correr com ela para o hospital/centro de saúde de Cinfães! O enfermeiro viu logo o dente lá em cima, quase debaixo do nariz. Eu nem queria acreditar e só de olhar quase desmaiava... o médico disse logo que aquele dente ia ter que sair dali, provavelmente com uma pequena cirurgia, tinhamos que ir para o S Joao, no Porto. E lá fomos nós, não de ambulãncia como queriam no hospital, mas no nosso próprio carro. Ela entratanto acalmou,e adormeceu com a chupeta na boca e o dente enterrado lá no cimo. Era sexta-feira, meia noite, chegamos ao S João. Entramos logo mas não havia essa especialidade á sexta-feira à noite! E agora! A pediatra não exitou, o dente não podia ficar ali! E sem me explicar direito o que ia fazer, muito concentrada no que estava a fazer, chamou mais 3, sim 3 pediatras internos para a segurarem, colocou um spray "anestesiante" e com as mãos, tirou o dente lá do cimo e colocou-o no sítio. Ela gritava e contorcia-se como um porco em cima da maca. As crocs voaram e eu a segurar nas pernas dela, só chorava e implorava para não fazerem aquilo à minha filha...... não foi fácil! Não foi! Mas ela saiu de lá já toda feliz, o dente parou de sangrar na hora e está no sítio até hoje! Inacreditávelmente, branquinho sem marcas! Ela graças a isso, deixou a chupeta, coitadinha nas primeiras noites não foi fácil, demorava séculos a adormecer.... mas compreendeu que o dente abanava e não podia usar a chucha... Agora, a incógnita, será que este acidente afetou o dente definitivo?? Não sabemos, o dentista não aconselhou o raio X porque nada haveria a fazer, o dente de leite já estava no sítio e isso era o mais importante, de resto é esperar que os definitivam naçam e não deve faltar muito, ela faz 6 anos em março!

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