Viva o futebol!

Quem me lê há mais tempo sabe que sou boavisteiro. Não sou fanático por futebol, mas gosto de ver. O JM, bom filho como sempre foi, quis ser do Boavista. Apesar de uma grande pressão social para ser portista, o JM vestia com orgulho a camisola axadrezada. Mas (há sempre um mas) o tempo foi passando e o rapaz, que gosta mais de futebol que o pai (de ver e de jogar), percebeu o óbvio: o Porto é melhor que o Boavista. Os mais assertivos dirão que o Porto dá 5 a 0 ao Boavista.

O JM, bom filho, deixou que a admiração pelo FCP crescesse em segredo, para não aborrecer o pai. Como o pai não antipatiza com o Porto, o JM assimilou o discurso oficial: «sou do Boavista mas também gosto do Porto». Só que, de mansinho, o discurso foi sofrendo subtis alterações: «sou do Boavista mas também um bocadinho do Porto», «sou do Boavista mas também do Porto», «sou do Porto mas também do Boavista», «sou do Porto (ponto)» - maldito slogan.

O golpe fatal foi o 5 a zero supracitado e a estucada de misericórdia foi aplicada pela minha Santa Sogra: o equipamento oficial do FCP oferecido por altura do 6º aniversário do rapaz. Dei a luta como perdida. No último Domingo, foi a minha vez de compensar o pequeno pelas várias idas ao Bessa «para fazer companhia ao pai». Levei o rapaz a ao Estádio do Dragão, para ver o FCP-Moreirense. O Porto esteve a perder por dois. Por momentos, pensei que o Moreirense me iria ajudar a reconverter o rapaz, mas, quando ele me disse muito triste «não é justo perderem logo no primeiro dia em que venho ao estádio», dei por mim a torcer pelo Porto. O primeiro golo da recuperação veio  ainda na primeira parte de penálti (roubado, mas isso agora não interessa). Depois do intervalo, viria o empate e logo a seguir o 3-2. A festa na bancada foi fabulosa. O rapaz gritava, e abraçava com muita força este pai. Que se lixe o futebol!


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