Verdades de umas férias a 4 (VI)

Por motivos que esclareço mais em baixo, as notícias do blogue foram suspensas abruptamente. Não tive a cabeça disponível para o tradicional 'porque o pai quer' de Sábado. Ainda assim, ficou a promessa de escrever algumas das nossas preferências algarvias. Não sou um expert em Algarve, pelo que algumas opiniões que tenho sobre restaurante e hotéis é de passar por lá 1-2 semanas por ano, nos últimos 3 anos. Na verdade, antes de ter filhos, gostava mais de passear pelas praias da Costa Vicentina do que as férias 'caretas' de Vilamoura. A partir do nascimento do JM, começámos a procurar férias onde a praia fosse mais acessível do que as do litoral alentejano e da costa de Sagres.

Descobrimos o Hotel Alfamar há 3 anos e não queremos outra coisa. O hotel é antigo. Apesar de 4 estrelas, a decoração já 'descasca' aqui e ali, mas é mesmo em cima da praia da Falésia. Quem fica no hotel desce do quarto directamente para piscina e, daí, tem apenas que descer uma pequena rampa em madeira até à praia. A zona da piscina tem um relvado enorme com uns pinheiros que dão boa sombra. Geralmente estacionamos numa dessas sombras e vamos alternando os banhos entre a piscina e o mar, sem ter que mobilizar a parafernália de sacos, toalhas, carrinho, lancheira, etc. Imaginam quão prático é para quem tem filhos pequenos.

Outra vantagem do Alfamar é ter uma zona de apartamentos e pequenas casas com cozinha. Dá imenso jeito para quem tem que preparar leites, papas ou sopas com ingredientes seleccionados. Esta zona de aparthotel chama-se Algarve Gardens (é assim que têm que procurar se quiserem reservar no booking.com).

E finalmente, o babyfriendlismo de todo do hotel e do próprio staff é a cereja no cimo do bolo. Para além das actividades dos animadores, todos os empregados parecem gostar de crianças, brincam com eles, fazem gracinhas. Na recepção, não colocaram problemas de dormirmos 4 num quarto. Mesmo as refeições do buffet parecem adaptadas aos gostos dos mais pequenos. Existe sempre sopa passada e uma opção de massa à bolonhesa, pizza, hamburger. É tão acolhedor para as famílias que se percebe logo que há famílias inteiras que vão passando o hábito das férias no Alfamar de geração para geração.

Tivemos uma primeira semana de sonho. Com temperaturas altas, um mar convidativo e amigos (hospedados em outros hotéis, mas com quem partilhámos boas jantaradas). Na segunda semana, mudámos para um apartamento maior, porque nos juntámos a um casal amigo que tinha mais 2 filhas. O sossego acabou nessa altura. Não porque a companhia não nos agradasse, mas porque o MM iniciou uma febre altíssima que durou mais de uma semana. Temperaturas rectais de 40,7ºC de 4/4h que não cediam bem aos antipiréticos e me começaram a preocupar.

Ao 5º dia de febre convenci-me que precisava mesmo de ajuda e fui ao Hospital de Faro, para fazer um rastreio analítico (sangue e urina) e um Rx de tórax. O diagnóstico foi de bacteriémia oculta, isto é, apesar de não se saber o foco da infecção, haveria uma bicharoco a circular no sangue que era preciso combater. Como? Ceftriaxone (que é um antibiótico de largo espectro) endovenoso (pela veia) de 24/24h. Isto exigiria internamento, mas eu acabei por assumir a responsabilidade de vigiar os sinais vitais em casa. Faríamos a segunda toma do antibiótico passadas 24h já no Porto. Acabámos por ficar mais um dia, porque fomos aconselhados por colegas pediatras que seria preferível esperar que a febre começasse a ceder. Com temperaturas mais baixas, o risco de desidratação durante a viagem seria menor. Assim fizemos.

Na Sexta-feira, levámos o MM ao Hospital Particular do Algarve, onde fez a segunda toma do antibiótico e, no Sábado, pela fresca viemos para o Porto. Não fomos a casa deixar as malas. Parámos logo no Hospital da Arrábida para ser reavaliados pelos colegas que estavam de urgência. Eles acharam por bem repetir as análises e, pânico!, havia um agravamento da infecção. O MM foi picado e repicado, fez mais uma data de análises que não interessam para o caso e teve mesmo que ficar internado. Daí que temos estado pelo Hospital da Arrábida. Ontem, Segunda-feira, deu-se a situação caricata de estar a operar e a fazer consulta no hospital e, nos intervalos, subir ao internamento para abraçar o meu filho. O MM foi melhorando lentamente e está desde domingo sem febre. A fase crítica parece ter passado. Os resultados das análises de hoje já permitem que ele venha para casa. Assim que acabar a consulta em Braga (porque entretanto acabaram), corro para os ir buscar.

Notas finais: 1) Assim que houver tempo para isso, colocarei algumas fotografias das férias no Alfamar. 2) As sugestões de restaurantes não estão esquecidas. 3) Já agora, o que 'o pai quer' é mais uma semaninha de férias, por favor.

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